Um banco católico alemão pediu desculpas por comprar ações de indústrias de armamentos, cigarro e pílulas anticoncepcionais.
Uma reportagem da revista alemã Der Spiegel revelou que o Pax Bank havia investido 580 mil euros (cerca de 1,5 milhões) em ações da BAE Systems, empresa britânica de armamentos.
O banco também investiu 160 mil euros na fabricante americana de anticoncepcionais Wyeth e 870 mil euros em empresas de cigarro.
Em nota, o Pax Bank pediu desculpas por "não manter seus padrões éticos". O banco fazia propagandas nas quais defendia fundos de investimentos "éticos", que evitavam comprar ações de empresas de armas e tabaco e outras companhias que não seguem princípios e crenças católicas.
"Nós vamos corrigir os erros imediatamente, sem consequências negativas para os nossos clientes", disse um porta-voz do banco.
"Infelizmente em algumas revisões internas estes investimentos críticos foram ignorados – nós nos arrependemos profundamente."
O porta-voz agradeceu aos jornalistas alemães por apontar os polêmicos investimentos do banco.
Fonte e foto: BBC (2009)
Uma fortuna em ações
Além do dinheiro dos fiéis, o Vaticano tem outras torneiras de receitas, como o polémico e famoso banco do Vaticano - nome oficial: Instituto para as Obras Religiosas (IOR). Mas até aqui a fonte está a secar. Em 2018 o IOR teve um lucro de €17,5 milhões, que contrasta com os €31,9 milhões de 2017. É uma quebra de 45%.
Em 2012 - ano em que o banco apresentou resultados publicamente pela primeira vez (ver caixa) - o lucro foi de a€86,6 milhões, tendo a maior parte (€54,7 milhões) sido dividendos para a Santa Sé e os restantes para reserva e investimento. Seis anos passados, todo o pequeno lucro de 2018 foi para a Cúria.
Ainda há uma outra torneira de receitas, a gigante Administração do Património da Sé Apostólica (APSA), uma instituição à Vaticano, ou seja, híbrida e confusa, que está equiparada a um banco central e se divide em duas secções.
A primeira, ordinária, paga salários aos funcionários do Vaticano, elabora orçamentos e relatórios, adquire bens e serviços aos fornecedores e paga as faturas. Gere também a fatia de leão do património imobiliário da Santa Sé. Toda esta carteira de responsabilidades foi transferida pelo Papa para a Secretaria de Economia, uma óbvia tentativa de a controlar mais de perto.
Quanto à secção extraordinária da APSA, faz gestão dos investimentos financeiros e negociação de valores mobiliários. Por exemplo, segundo se lê no livro Giudizio Universale (2019), teve até há pouco tempo uma "participação substancial na gigante farmacêutica Roche", na ordem dos €40 milhões.
A APSA tem uma pequena fortuna em ações. As maiores carteiras são em euros (475 milhões) e dólares (137 milhões). Quem o diz é a COSEA. Segundo esta comissão criada pelo Papa para fazer uma radiografia das contas da Cúria, o Vaticano, na globalidade, tem entre 8 e 9 mil milhões de euros em bens móveis, grande parte deles (85%) em ações. Cinco por cento estão em contas bancárias, o mesmo em fundos. Restam 3% em obrigações e 1% em ouro.
Para alguns dos seus fins financeiros, a APSA tem contas em nome próprio em bancos na Alemanha e na Suíça e a esse propósito vale a pena referir uma inspeção interna de 2016 que refere que a entidade não forneceu detalhes sobre essas contas - esta resistência a prestar informações (foi, recorde-se, o mesmo que Becciu fez na Secretaria de Estado), feita de forma frontal ou dissimulada, é uma velha estratégia da Cúria para atrasar e anular as reformas.
A APSA tem também contas de clientes, que deviam ser apenas institucionais, mas que as inspeções detetaram em nome de freiras e cardeais. Um dos clientes institucionais é a Biblioteca Apostólica, que tem aqui €1,3 milhões, assim como a Basílica de São Pedro (€7 milhões) ou o Fundo de Pensões (€285 milhões).
Fonte: Sábado

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