Especialista de renome considera que, apesar de alguns progressos, «as vacinas não estarão disponíveis de forma significativa até ao início do terceiro trimestre do próximo ano» e «mesmo assim» há um ceticismo na sua toma.

Michael Osterhom, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infeciosas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, alerta que as próximas semanas podem ser as «mais negras de toda a pandemia».

«Há vacinas e tratamentos a chegar», disse Osterholm em entrevista a um programa da NBC. «Mas quando realmente olhamos para o que aí vem, as próximas seis a 12 semanas serão as mais negras de toda a pandemia», alertou.

Osterholm considera que, apesar de alguns progressos, «as vacinas não estarão disponíveis de forma significativa até ao início do terceiro trimestre do próximo ano» e «mesmo assim, metade da população a esta altura, está cética em tomá-la», acrescentou.

A corrida para desenvolver uma vacina contra a Covid-19 já ultrapassou os recordes de velocidade, gerando preocupações de que o fármaco esteja a ser apressado para fins políticos, ainda que os fabricantes garantam todo o rigor e segurança.

Segundo o especialista, o caso americano será dos mais dramáticos dada a gestão de Donald Trump nos últimos meses, que causou muita confusão na população. «As pessoas não sabem no que acreditar, e esse é um dos nossos maiores desafios no futuro, passar uma mensagem ao público que reflita a ciência e a realidade», explicou.

Para o responsável, parte do atual problema (nos Estados Unidos) é a falta de uma voz «principal» para guiar os americanos durante o atual estágio da pandemia. Em vez disso, existem várias vozes, que confundem os norte-americanos.

Osterholm é apenas um entre vários epidemiologistas que, durante meses, alertaram para o facto de que a pandemia iria piorar nos meses de outono e inverno. «Na sexta-feira, tivemos 70 mil casos, correspondendo ao maior número durante o pico mais grave de julho», disse. Ainda vamos registar números muito, muito maiores nos próximos tempos», acrescentou.

Fonte e foto: Executive Digest