Foto: DW | Peter Ben Embarek - chefe da missão de peritos da OMS que estiveram em Wuhan.

Em entrevista à agência Lusa, o professor convidado da universidade de Princeton, comunicador e ‘podcaster’ defende não é possível descartar a possibilidade de a pandemia da covid-19 ter começado com uma fuga acidental num laboratório de virologia de Wuhan, sustentando que o comportamento do vírus assim o sugere.

«O vírus comportou-se de uma forma inesperada desde o princípio», afirma Bret Weinstein apontando que é altamente transmissível entre indivíduos e foi capaz de descobrir modos de infetar vários tecidos diferentes nos seres humanos, «mesmo aqueles que não contribuem para a sua capacidade de se transmitir entre portadores».

«Por razões difíceis de explicar, há quem, especialmente nos Estados Unidos, mas na realidade no Ocidente inteiro, visse tudo o que Donald Trump dissesse como falso à partida. E isso é, obviamente, absurdo, e dá-lhe demasiado poder, o poder de matar uma ideia simplesmente por a dizer», afirma Weinstein.

Contudo, quando as portas do laboratório se fecharam à investigação externa e quando os peritos da OMS se limitam a aceitar que os responsáveis desse laboratório lhes digam que nada tiveram a ver com o início da pandemia, Weinstein já hesita em falar de «um erro inocente».

«Eu não afirmo que isto começou no laboratório de Wuhan. » .

«É possível que haja alguma história na qual o vírus emergiu inicialmente da natureza e que depois evoluiu e aprendeu esses ‘truques’ antes de chegar a Wuhan. » No entanto, os seus seguidores na rede social Twitter apontaram-lhe a existência em Wuhan do Instituto de Virologia onde são estudados coronavírus oriundos de morcegos e que segue o protocolo de segurança mais alto para riscos biológicos.

"É uma grande coincidência e eu penso que todas as pessoas que lidaram com isto de uma forma cientificamente responsável também se deram conta do nível de coincidência. O caminho que Bret Weinstein aponta como possível é que a investigação em laboratório do vírus tenha seguido um método chamado "ganho de função", uma área que tem tido "rápida expansão" nos últimos anos.

Entre as pistas que o comportamento do vírus deixa está o facto de infetar com grande eficácia animais da classe dos mustelídeos, como martas, ferrões ou doninhas, "o que poderá indicar que o vírus foi transmitido em série num laboratório entre esses animais", argumenta.