O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou, na quinta-feira, que é «fácil impor uma ditadura no Brasil», numa crítica às medidas de confinamento decretadas por governadores e prefeitos para travar a disseminação da covid-19.

«Em nome da ciência, da sua vida, você vai ficar em casa mofando», disse Bolsonaro, na sua habitual transmissão de vídeo na rede social Facebook. Para justificar a sua rejeição às medidas de confinamento obrigatório, Bolsonaro recorreu à leitura de uma carta de despedida, escrita por um feirante que alegadamente se suicidou. « Decretou fecho de tudo e não está dando para vender», leu Bolsonaro, reproduzindo o teor da carta, mas sem revelar a identidade da vítima.Um ano após a pandemia ser oficialmente declarada no país, o Brasil acumula 10,3% das mortes notificadas no mundo por covid-19, sendo que tem apenas 3% da população global, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz .

Contudo, Bolsonaro, um dos chefes de Estado mais negacionistas em relação à gravidade da covid-19, defende que a população brasileira saia à rua em prol da economia, e «antevê problemas sérios» caso isso não aconteça. « Estamos segurando o Brasil. Estou antevendo um problema sério no Brasil, não quero falar que problemas são esses porque não quero que digam que estou estimulando a violência, mas teremos problemas sérios pela frente», pontuou.

O Brasil, com 212 milhões de habitantes, concentra 272.889 mortes e 11.277.717 casos de infeção, sendo um dos três países mais afetados pelo novo coronavírus em todo o mundo. A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.621.295 mortos no mundo, resultantes de mais de 117,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

O ministro brasileiro acrescentou na rede social que, «depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal em abril de 2020, os governadores dos estados, não o Presidente, têm, na prática, toda a autoridade para estabelecer/gerir todas as medidas de distanciamento social».

O que o ministro não mencionou é que Bolsonaro se opôs e criticou os governos regionais que adotaram medidas para restringir a circulação de pessoas e todas as atividades produtivas, às quais se opõe pelo efeito que têm na economia.

«Na reportagem americana da CNN, o especialista Dennis Carroll culpou a política do governo do Presidente Jair Bolsonaro pela falta de controlo da doença, alegando falta de liderança», disse o afiliado do canal no Brasil. A rede esclareceu ainda que esse especialista «comparou as ações do Bolsonaro com Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos», considerado um modelo pelo Presidente brasileiro e cuja gestão da pandemia também foi alvo de numerosas e duras críticas. Noticia avançada pela Lusa.