Uma criança de cinco anos foi detida, repreendida e até algemada e ameaçada por dois polícias no Condado de Montgomery, nos Estados Unidos, por ter fugido da escola. As imagens do momento estão a revoltar os que acham que esta não é a melhor forma de ensinar uma criança que agiu incorretamente. Na mesma semana em que começa o julgamento do polícia norte-americano que agrediu e assassinou George Floyd no ano passado - julgamento considerado pelo advogado da família do afroamericano como «um referendo» à justiça e igualdade na América - são partilhadas imagens de agentes da polícia a ameaçar bater numa criança afroamericana de cinco anos. O vídeo, divulgado na passada sexta-feira pelo Departamento de Polícia do Condado de Montgomery, mostra um dos policias a gritar insistentemente com a criança negra que chorava, com o rosto a centímetros do dele.

Quando os polícias se aproximaram, começaram por tratá-lo por «pequeno companheiro», mas a abordagem posterior começou a deixar a criança cada vez mais nervosa. O menino de cinco anos foi, então, obrigado a entrar no carro da polícia e levado de volta para a escola, onde um dos agentes continuou a repreendê-lo, indiferente ao choro da criança, enquanto aguardavam a chegada da mãe. O vídeo mostra ainda um polícia a obrigar a criança, que não parava de chorar, a sentar-se numa cadeira na sala do diretor da escola. «Cala a boca agora», gritou o polícia aproximando-se cara a cara com a criança.

As imagens também mostram o administrador escolar a contar abertamente aos dois policias que o aluno tinha problemas de comportamento anteriores, fazendo comentários sobre os métodos de educação que a mãe da criança aplicava, na presença do menino, segundo o Washington Post.

Este incidente aconteceu em janeiro e a mãe do menino apresentou uma queixa contra a forma de atuação dos agentes, contra o Departamento da Polícia de Montgomery, contra o Sistema de Escolas Públicas do condado e contra o Conselho do Condado. Os advogados de Shanta Grant afirmam que esta quer justiça e uma compensação pelo trauma causado à criança e alegam que o vídeo mostra os agentes a tratar a criança «como se fosse um criminoso implacável». «Não há justificação para se falar assim com uma criança. » Entretanto, o departamento de polícia de Maryland fez saber que na sequência do sucedido abriu uma investigação à forma de atuação dos dois agentes, cujas conclusões não serão reveladas, mas fez saber que os dois agentes continuam em funções.

Para além de não serem mencionados os nomes dos agentes envolvidos no incidente com a criança, o porta-voz da polícia, Rick Goodale, disse que o departamento não ia comentar as conclusões judiciais nem mais detalhes sobre os polícias em causa por serem «registos pessoais e confidenciais de acordo com a lei », escreveu numa mensagem à Associated Press no sábado. Sabe-se apenas, segundo Goodale, que os dois agentes eram de origem afroamericana, assim como o menino de cinco anos. Já o governador do Condado de Montgomery, Marc Elrich, afirmou num comunicado que instruiu o chefe da polícia do Condado para rever a formação e a forma de atuação dos agentes com crianças. « As funções policiais devem terminar assim que o pessoal da escola estiver presente para tomar conta da criança», disse.

Quase 500 pessoas da comunidade de Montgomery assinaram uma carta aberta online exigindo que os dois agentes envolvidos no caso sejam suspensos ou demitidos. «Este vídeo deixa claro que os polícias aterrorizaram esta criança de cinco anos quando era suposto que qualquer criança se sentisse segura e protegida na escola», disse também Tiffany Kelly, uma mãe e associada das Escolas Públicas do Condado de Montgomery e ativista da comunidade, num comunicado divulgado pela Coligação de Justiça Silver Spring. Os polícias foram acusados ​​por agressão, imposição intencional de sofrimento emocional à criança e ainda outras acusações, de acordo com documentos judiciais a que o Washington Post teve acesso. Noticia avançada pela RTP.