Na primeira declaração pública desde que viu anuladas as suas condenações na Lava Jato, Lula da Silva disse ter-se entregado à polícia federal em 2018 contra a sua vontade, para provar a própria inocência. "Eu tomei a decisão de me entregar porque não seria correto um homem na minha idade pudesse aparecer na capa dos jornais e na televisão como fugitivo", disse Lula da Silva sobre a sua detenção. Lula, que continua a garantir ser inocente, atribuiu às "falsas acusações" de corrupção contra si a morte da sua mulher, Marisa Letícia Lula da Silva, em 2017.
Sobre os 580 dias que passou na prisão, o ex-presidente do Brasil disse não sentir mágoa. O ex-mandatário referia-se à crise de Covid-19 que assola o Brasil, um dos países mais afetados do mundo pela pandemia, e aproveitou para criticar o modo como o presidente Jair Bolsonaro tem gerido a crise. «Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República e do ministro da Saúde, tome vacina», pediu Lula à população, contrariando a faceta negacionista que tem sido revelada pelo chefe de Estado. O ex-presidente, de 75 anos, disse que pretende receber a vacina contra a Covid-19 na próxima semana, com qualquer vacina que tenha à disposição.
"Vou tomar a minha vacina, não importa de que país", assegurou. "Tome vacina, porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você da Covid-19. Mas mesmo tomando vacina, não ache que você já tirar a camisa, já ir para o boteco pedir uma cerveja gelada, ficar conversando. As mortes estão sendo naturalizadas", disse o ex-presidente.
Lula afirmou ainda que foram as fake news as responsáveis pela eleição do presidente Jair Bolsonaro. "Este país não cuida da economia, não cuida do emprego, não cuida do salário, não cuida da saúde, não cuida do meio ambiente, não cuida da educação, não cuida do jovem, não cuida da menina da periferia".
O juiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, anulou na segunda-feira todas as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Justiça Federal no Paraná, relacionadas com as investigações da operação anticorrupção Lava Jato. Lula da Silva cumpriu 580 dias de prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019. Com a decisão, porém, Lula da Silva voltou a ser elegível e recuperou os direitos políticos. Lula, de 75 anos e que governou o Brasil entre 2003 e 2010, cumpriu 580 dias de prisão, entre abril de 2018 e novembro de 2019. Noticia avançada pela Lusa.

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